quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Numa altura em que tudo parece desmoronar à minha volta, sinto-me na obrigação de aqui voltar.
Quando entrei para medicina, ou quando escolhi que esta seria a minha profissão para sempre, estava longe de saber que iria sentir o que sinto neste momento.
No meio daquilo que vai sendo a vivência hospitalar, estou cada vez mais desiludida com a vida que escolhi. O hospital onde trabalho está a desmoronar. E não é aos poucos. Sinto que cada dia que entro e saio (ou não saio), as coisas mudam a um ritmo estonteante. E ao mesmo tempo sinto que está sempre tudo na mesma. Mal.
Ver pessoas mais velhas desiludidas e tristes com o que se está a passar custa. Mas custa-me muito mais quando sou eu que me irrito com essas coisas. Ou pior: fico triste. Não tenho idade para desacreditar em tudo isto, nem de desistir daquilo que
acreditei a vida inteira: que o mundo poderia mudar...
Mais me dói é ver que os doentes são o que menos importa no meio daquilo tudo. Alguém se esqueceu que o hospital foi feito para os doentes? Só assim faz sentido, digo eu.
Sim. Hoje estou deprimida e triste com tudo o que acontece sem que eu consiga interferir. Tenho pena que ninguém lute pelos interesses dos doentes, das pessoas que precisam de nós. Alguma coisa vai ter que mudar. Os sonhos só fazem sentido se continuar a acreditar que um dia os poderei realizar. Acredito que um dia vou conseguir mudar o mundo.
Resta-me, neste momento, agradecer à Associação VoxLisboa por me dar tanto e me ajudar a pelo menos melhorar o mundo de alguém. Só um mundo de amor vale a pena para se viver a vida inteira.

sábado, 14 de novembro de 2015

Nem imaginas como adorava que neste momento me dissesses que afinal não tenho sempre razão... Espero que alguém tenha uma boa desculpa para te ter levado desta maneira...
E não te esqueças: ainda tens uma missão. Onde quer que estejas, toma bem conta de mim. Porque prometeste que seria 'para sempre, e mais 100 anos'.

sábado, 24 de outubro de 2015

É de coração cheio que chego a casa, depois das Primeiras Jornadas do Voluntariado em Saúde, organizadas pela Associação VoxLisboa, à qual tenho a sorte e o privilégio de poder pertencer.
Todas as palavras são poucas quando quero exprimir aquilo que sinto ao fazer voluntariado. Há quase 3 anos atrás, quando decidi dedicar-me a esta causa, não tinha noção daquilo que iria ganhar. Na altura pensava que seria só fazer alguma coisa sem querer nada em troca. Enganei-me. Hoje, acho que o voluntariado é o meu lado mais egoísta. A expressão ‘Não acredito que cada um tenha o seu lugar. Cada um é um lugar para o outro’, com o voluntariado adquire um sentido diferente. Sou um lugar para o outro, mas é principalmente no outro que eu procuro e encontro sempre o meu lugar.
Quem verdadeiramente me conhece, sabe como eu gosto e aquilo que sinto ao ver uma pessoa idosa. O projecto Bairro com Saúde é, talvez, o projecto da minha vida. A curto, a médio e a longo prazo. Com ele, espero conseguir aquilo que acredito. Aliar uma cidadania activa à solidariedade e à saúde. Dar voz aos ‘avós’ do(s) bairro(s). Aos idosos que moram sozinhos ou com outros idosos, isolados ou excluídos da sociedade. Capacitá-los e educá-los. Responsabilizá-los. Reintegrá-los. Pretendo (prentendemos) escutar, compreender, comprometer. Amar. Humanizar. Já disse, um dia, que quando entrei em medicina achava que ia conseguir mudar o mundo. Com o tempo fui desacreditando nisso tudo. Não é fácil mudar o mundo. Percebi que seria preciso muito e muitos mais para que isso acontecesse. Com o voluntariado, com a VoxLisboa, com o Bairro com Saúde, continuo a saber que não vou mudar o mundo, mas sei que posso ser capaz de mudar o mundo de alguém. E só isso é suficiente para já ter conseguido mudar o meu.
Nunca é de mais dar os parabéns aos projectos Rua com Saúde e Rua com Saída, às suas coordenadoras - Inês Venâncio, Inês Quintas e Cristina Fragoso – e a todos os seus voluntários. Foi com muito orgulho que conheci o trabalho que desenvolvem com e para os sem-abrigo. Espero que daqui a um ano, nas próximas jornadas, possam sentir o mesmo quando mostrarmos o trabalho do Bairro com Saúde.
Obrigada a todos os oradores de hoje pela excelente partilha. Obrigada ao Hugo pelo convite que me fez para pertencer à família VoxLisboa. Obrigada à Elsa pela paciência que tem comigo e pela pessoa maravilhosa que é. Obrigada a todos os que só conhecia pelos nomes, nos infindáveis mails que vamos trocando e que hoje tiveram finalmente uma cara. Obrigada à equipa de Comunicação e Marketing, incansável e absolutamente brilhante, que se supera a cada dia. Obrigada à equipa 3 do Serviço de Urgência do Hospital de São José por ser provavelmente a equipa mais solidária que existe. Obrigada à Dra Paula e à Dra Isabel por me irem ensinando a trabalhar em saúde, por conseguir aplicá-la ao voluntariado e por serem um exemplo do que é a personalização, personificação e humanização de cuidados. E obrigada ao meu pai, pela inspiração que é.

É principalmente no outro que eu procuro e encontro sempre o meu lugar.

domingo, 21 de junho de 2015

Quanto mais conheço o mundo, mais gosto do meu quintal.

sábado, 2 de maio de 2015

Que essa alma gémea fique sempre gémea da minha alma...

https://youtu.be/Ufnr4rnvoKk

quarta-feira, 25 de março de 2015

Que essa alma gémea seja sempre gémea da minha alma.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

E não. Nenhum vazio é normal.
Tudo na vida tem de nos preencher.